sexta-feira, 4 de novembro de 2016

À MUSA DE TODOS OS TEMPOS VI

À noitinha, navego em sons
Dissonâncias que ecoam teu nome
A suavidade dos teus passos
Vívidos como tua mocidade
Alegre sorriso inocente
Tua perversa imensidão
Que hoje, vislumbrei inalterada

Tua intacta cor de sapoti
Resplandecia, como se o tempo
Para ti, não existisse
Afeto e submissão
Surgiram freneticamente
Do meu coração adormecido
Que agora dança, solto, maduro, infantil.

JaguarAraújo, 04/11/2016

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

MANGA ESPADA


A fineza
De uma existência farta
Frondosa, límpida, intensa
Fruta gostosa, carnuda
Que se come sorrindo
Pois alegria há
Na imensidão da tua floresta
Onde me criei índio
Faminto por teu fruto

Outrora, em teus belíssimos braços
Fui tua cria
Primaveras luxuosas
Pertenceram a ti
O teu conforto e tua sombra
Foram meu guia
E tua natureza pródiga
O meu encantado amor.


(Jaguar Araújo, 10/2015)

quinta-feira, 7 de maio de 2015

A NOITE...


Adornam o céu as nuvens cinza
Ah, o crepúsculo à vista
Berço dos meus mais insanos desejos
Lá, outrora, descansaram
E agora em fuga, aflitos
Invadem a alma da noite
Perigosos sentimentos profanos
Que faz esboçar um riso em meu semblante pacífico
Uma alegria besta
Que não faz mal a ninguém
Apenas festeja.

Jaguar Araújo, 07/05/2015

segunda-feira, 24 de março de 2014

Martinho Da Vila - Minha e Tua

Deus abençoa porque
Somos o sol e a lua
E quando há um eclipse
Minha vida é minha e tua
Num simples toque de olhar
Faz se sentir toda nua
E pra escandalizar
É só minha linda e pura
Vida minha
Minha
Tua
Minha
Tua vida é minha e tua
Ela é a terra virgem
Eu semente de paixão
Nossas lágrimas são chuva
Nossos corpos plantação
É uma afrodisia
A me fazer germinar
Desbravando o seu corpo
Sinto o tato das carícias
Que só eu posso provar

quarta-feira, 12 de março de 2014

TÁ DELÍCIA, TÁ GOSTOSO...

Admiro a poesia assim, gostosa...
Aprendi a muito que o samba possui poetas maravilhosos, Martinho é um deles. E essa música especialmente me faz lembrar coisas interessantíssimas; essa minha boemia que se já não se faz tão presente, ainda emociona.



Assim como adolescente
O cupido me pegou
Me apaixonei por seu beijo
Sem você eu nada sou

Vem me salvar boca a boca
Tô morrendo de amar
Vem fazer amor bonito
Vem pra se deliciar


Você é fêmea no cio
Deixa seu macho dengoso
Quando diz no meu ouvido
Tá delícia, tá gostoso


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

POR TUA ALMA SACANA

Agora sim, uma poesia deliberadamente escrota! Escrita há uns vinte anos atrás foi construída para ser safada, direta, com toda má intenção possível.
Não foi direcionada a ninguém especificamente, e sim uma homenagem a todas as mulheres desta vida fantástica, que, por serem destemidas, curtem ter e dar prazer:


Serás Deusa
seminua em minha presença
e despirei as tuas últimas vestes
com a minha própria boca
a mesma que provará todo o teu suor
a mesma que te fará louca

atirarei farpas e desejos sobre a cama
desforrarei teu pecado
aliciarei tua chama
enforcarei teu pudor
e te amarei sacana

inspirar-me-ei com os teus gemidos
gemidos não, gritos!
que acordarão a tua fama
e não vais pedir clemência

pois sei que em tua dor
em tua demência
és na verdade puta
porém puta apenas numa cama

(Jaguar Araújo)

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

SAUDADES

Poesia antiga, escrita há muito, muito tempo atrás. Lembro-me dela ter sido inclusive publicada no “Jornal A Tarde” da época.
Saudade é bom, principalmente quando é sadia, amar é bom, quando se sabe que nada é permanente e tudo tem o seu tempo certo.

Na prática do bem-estar colhemos frutos, uns são replantados, outros consumidos nessa ceia farta da vida, que por ser maravilhosa, deve-se saber aproveitar:


Ao entardecer
ressurge a coragem de fugir ao teu encontro
como nos idos de outrora
E no limiar de minh’alma deserta
emana o fogo da paixão, do desejo
que mina a minha sã consciência
trazendo lembranças de ti
Então, sinto como se pudesse tocá-la
sentir teu corpo, teu perfume
até mesmo o sabor dos teus lábios
ouvir tuas palavras
perceber teus mínimos gestos
vivendo assim
a fragilidade do meu coração
que não me perdoa
por ter deixado tu partiste tão breve
forçando-me a febre de viver
na eterna solidão

(Jaguar Araújo, em algum lugar no fim da década de 80)

segunda-feira, 25 de novembro de 2013


Era dia na ilha de Cacha-Pregos, Município de Vera Cruz, onde eu costumava passar meus verões...
Entre o descanso da alma e o tormento da realidade, lá estava ele... o bom e velho desejo, transfigurado na figura limpa de uma bela e desconhecida fêmea, e eu, pasmo, não conseguira me conter, daí então surgiu à inspiração...


Cabelo despenteado pelo vento
areia na face
e a morena caminha por entre as águas
diante dos meus olhos

Abaixa e sacode o jereré
pitu, siri, peixe miúdo
deu de tudo
só não viu meu coração desolado
que ficou na areia

Vestido curto, molhado
quase transparente
e teu olhar inocente
capta-me, no ato

e um sorriso gostoso
desabrocha em teus lábios
que gosto salgado deve ter aquele corpo
tão suado...

O nome, Iramaia...
pena que soube só depois que ela se fora
perguntei a um garotinho ali da praia
que disse ainda que a danada
além de linda, era professora.

(Jaguar Araújo, Dezembro/1992)

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

BELAS PASSAGENS...

Algumas poesias são palpáveis, visíveis a olho nu. Principalmente quando criadas na plenitude do realismo da inspiração, e arquitetadas carinhosamente.
Apesar de sido construída em Setembro de 2006, hoje, anos depois, eu tive o imenso prazer de rever esta poesia...


Carne crua, nua
Perdida na cama
Ama de um olhar vagabundo
Mundo, esse meu foi embora
Hora, que passava depressa
Pressa, como ter nessa hora?

Linda e sutilmente perversa
Abriu a caixa de pandora
Ora, que lembrança porreta
Pensar que de amora
Era o gosto daquela boceta.

(Jaguar Araújo)

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O DIA DAS CRIANÇAS ABANDONADAS


A noite
Que apaga o dia
Cobra caro, pra quem não lhe deve nada
E é lá que dormem as crianças banidas
Sobre o frio da alma
Cobertor de papelão
Papel de parede, plástico
Que forra a sua cama/chão

E nas latas de leite vazias
Ou entre as mãos
Imploram o alimento fraco
Mas, o que é forte para fome?
Talvez, a ganância do homem...
Talvez, a cola de sapato!


(Jaguar Araújo, 1990)

terça-feira, 10 de setembro de 2013

A TRISTEZA E O INVERNO...


Ruas escuras, desertas
De homens e almas
Somente o frio freqüenta agora
Esses caminhos que a mim pertencera

Culpa deste inverno devassador
Da falta de agasalhos
De leite morno, de pão
Deste gélido coração

Não vejo à hora de ressurgir a primavera
Suas flores nítidas, embriagadoras
E o desejo intrínseco de renovação

Um novo aroma, a claridade
As acácias soltando sobre meus olhos
Fazendo meu espírito novamente laborar.


Jaguar Araújo, 08/2007

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

DRÃO...


O apelido foi dado por Maria Bethânia. Drão vem do aumentativo de Sandra, a terceira mulher de Gilberto Gil. Ao virar título de um dos maiores sucessos do compositor, o apelido incomum sempre foi confundido com a palavra "grão". Sandra Gadelha desfaz o mal-entendido e se assume como inspiração dos versos densos, compostos em 1981, em plena separação do casal. Gil diz que foi bem difícil escrever a letra, uma poesia profunda e sutil do amor e do desamor. "Como é que eu vou passar tanta coisa numa canção só?", questiona-se Gil no livro "Gilberto Gil-Todas as Letras" (Cia. das Letras). 


Os dois foram casados por 17 anos e tiveram três filhos: Pedro, Maria e Preta. Hoje, aos 53 anos, Sandra mora sozinha no Rio, sonha em montar uma pousada e se lembra com carinho da canção que marcou o fim de seu casamento. Por uma feliz coincidência, Sandra costuma ouvir sempre a "sua" música no rádio do carro. Uma emissora carioca parece estar programada para tocá-la todos os dias, às 11h. A ouvinte especial está sempre sintonizada. 


Sandra Gadelha "Desde meus 14 anos, todo mundo em Salvador me chamava de Drão. Fui criada com Gal [Costa], morávamos na mesma rua. Sou irmã de Dedé, primeira mulher de Caetano. Nossa rua era o ponto de encontro da turma da Tropicália. Fui ao primeiro casamento de Gil. Depois conheci Nana Caymmi, sua segunda mulher. Nosso amor nasceu dessa amizade. Quando ele se separou de Nana, nos encontramos em um aniversário de Caetano, em São Paulo, e ele me pediu textualmente: 'Quer me namorar?'. Já tinha pedido outras vezes, mas eu levava na brincadeira. Dessa vez aceitei. 


Engraçado que Gil mesmo não me chamava de Drão. Antes havia feito a música 'Sandra'. Já 'Drão' marcou mais. Estávamos separados havia poucos dias quando ele fez a canção. Ele tinha saído de casa, eu fiquei com as crianças. Um dia passou lá e me mostrou a letra. Achei belíssima. Mas era uma fase tumultuada, não prestei muita atenção. No dia seguinte ele voltou com o violão e cantou. Foi um momento de muita emoção para os dois. 


Nos separamos de comum acordo. O amor tinha de ser transformado em outra coisa. E a música fala exatamente dessa mudança, de um tipo de amor que vive, morre e renasce de outra maneira. Nosso amor nunca morreu, até hoje somos muito amigos. Com o passar do tempo a música foi me emocionando mais, fui refletindo sobre a letra. A poesia é um deslumbre, está ali nossa história, a cama de tatame, que adorávamos. No começo do casamento moramos um tempo com Dedé e Caetano, em Salvador, e dormíamos em tatame. Durante o exílio, em Londres, tivemos de dormir em cama normal. Mas, no Brasil, só tirei o tatame quando engravidei da Preta e o médico me proibiu, pela dificuldade em me levantar. 


A primeira vez em que ouvi 'Drão' depois que Pedro, nosso filho, morreu [num acidente de carro em 1990, aos 19 anos] foi quando me emocionei mais. Com a morte dele a música passou a me tocar profundamente, acho que por causa da parte: 'Os meninos são todos sãos'. Mas é uma música que ficou sendo de todos, mexe com todo mundo. Soube que a Preta, nossa filha, chora muito quando ouve 'Drão'. Eu não sabia disso, e percebi que a separação deve ter sido marcante para meus filhos também. As pessoas me dizem que é a melhor música do Gil. Djavan gravou, Caetano também. Fui ao show de Caetano e ele não conseguia cantar essa música porque se emocionava: de repente, todo mundo começou a chorar e a olhar para mim, me emocionei também. E, engraçado, Caetano é o único dos nossos amigos que me chama de Drinha." 

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

SONETO PARA UM NOVO AMOR

Ah, sublime novo amor
livre e desenvolto como o vento
de uma nova paixão
de uma nova mania

absurdo amor
viveiro das caricaturas dos meus dias
das minhas amarguras
das minhas alegrias

amor, sublime amor
onde o rancor e o ódio não perpetuam
onde meu peito é só folia

banhas com orvalho a manhã
de ouro e prata
e saboreia a riqueza desses meus dias.

                       (Jaguar Araújo, 1990)

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

RABISCOS ROMÂNTICOS

Alguns textos antigos como este, escrito no inicio da década de 90,  parecem não envelhecer nunca, muito menos essa necessidade incrível de amar sem hipocrisia, como um bom amor (inclusive o efêmero) para ter um gosto especial, necessita ser.


E a juventude
bate novamente à minha porta
guiada pelos beijos de agora
pelas tuas mãos que me acompanha
pela tua manha

E por teu sorriso verdadeiro
julgo o meu erro
de só querer-te agora
tão próximo à aurora
tão perto de íris embora

(Jaguar Araújo, 1990)

quarta-feira, 24 de julho de 2013

UMA HOMENAGEM AO BEM-ESTAR

Algumas pessoas sabem passear livremente em coração alheio, meio que sem destino, sem intenção, apenas aproveitando suavemente o caminho; outras simplesmente passam.
No meio dessa tortuosa e maravilhosa peregrinação, surgem seres atípicos, que intencionalmente não plantam nada, porém consegue ornamentar a alma desejosa com uma textura leve, perfeita, saudosa. Deixam sem querer um sentimento limpo, interessante, mas que não é amor: É bem-estar!


Cedo dormiste
E um encanto oculto
Exalavas d’alma pervertida
Uma paixão ardente, avassaladora
Brotara do meu amadurecido coração
Charme e acalanto
Nascendo ali, meio que sem querer
Por entre os ricos caminhos do teu corpo
Que, por ser efêmero
 Breve deixara deserto
O palácio que construíra para ti, em meu leito
De puro luxo e alucinação.


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

BERLINQUE



Pássaros distantes, voantes
Quebra a monotonia deste horizonte pacífico
Submergindo entre as infindas ondas

Aqui, onde jazem as minhas aflições
Costumo sonhar com tempos tranqüilos
Sem infortúnios, sem lamúrias

E as noites escandalosamente escuras
Onde fogem as visões desta lonjura
Precipita o crepúsculo ilheiro

Surgem os manguezais e atlânticas matas
Onde habitam os meus fagueiros desejos
E as ostras, peixes, paixões e devaneios

(Jaguar Araújo, Agosto/2007)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

TUAS NOITES MINHAS



No melhor momento
o sorriso, descarado,
estampado em tua face de menina travessa.
No melhor segundo, o transe,
a respiração ofegante;
e eu te chamei de minha.
No auge do teu descanso
a minha insônia perplexa
observara teu corpo branco, sadio,
e teu orgulho feminil,
afogando-se em meu gozo.

(Jaguar Araújo, Nov/2005)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

NO TOBOGÃ DA TARDE

Texto escrito no início da década de 90, quando eu ainda fazia parte da “Cães de Guarda”, banda de Rock que infernizava a Liberdade com seus ensaios barulhentos, regrados a muito whisky J&B e cerveja(ainda bem, nada de drogas!!!) e era para fazer parte do repertório da mesma.
Não deu tempo, lembro que pouco tempo depois os compromissos amorosos fizeram a banda ruir; coisas da vida...
No entanto, anos após, lembrei-me da letra, na mesma ocasião, percebi o quanto ela era interessante, gostosa, atual.
Essa coisa de que, em determinados momentos de desejo, sem frieza, existem lances mais interessantes do que se preocupar com compromissos sérios e outras situações do tipo. O bom mesmo é aproveitar e se divertir; sendo que o prazer seja sempre recíproco.


Hoje eu vi o sol
No tobogã da tarde
Minh’alma estava tão só
Que não hesitou em te chamar
E você vinha simplesmente
Entre as nuvens da noite que estava para chegar
Logo você
Que já me acusou de tantas coisas
Mas, o que é a vida senão um poço de pecados ?
E quem mais conhece os meus desejos ?

(Jaguar Araújo)

terça-feira, 13 de novembro de 2012


Farta de violência esta era; sobre amor, quase nada. Não sei o que acontece com as pessoas, “temem provar o néctar do sentimentalismo”.
Sempre que tive a possibilidade amei, à minha maneira, é lógico, mas amei.
E esse sempre foi meu ópio, ter o prazer de participar de tantas almas fantásticas, colher o fruto, replantar, refazer...
E claro, quando sinto saudade desses instantes, eis que surge à inspiração:


Nunca mais te vi
E agora, encaro a clássica saudade
Da relva rasteira do teu monte
Do teu pão, teu vinho

Em ti vibrava o sol
E resplandecia em tua pele clara
Perfumada, salina
Em tantos dias de estripulias

Meu pesar por ti
É o azul-marinho
Do mar de Itaparica
Onde comigo, tu nunca navegaste

Lá, outrora, sozinho de alma
Quis tê-la ao meu lado
Vê-la linda, saliente
Envaidecendo-me...


Trilhei meu caminho, mesmo sem ti
Trilhaste o teu
Para assim viver esta minha existência
Saudosa de tantos bons acontecimentos

(Jaguar Araújo, Outubro/2012)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

POR MEU FILHO...


Na época, meu único filho era Rodrigo, o gordinho Davi ainda nem sonhara em nascer. E Em uma das muitas noitadas a fora, ocorrera comigo um acidente automobilístico. Fisicamente, graças a Deus e Yemanja(odoiá minha mãe!) pouco sofri, porém o susto foi enorme.
Temi realmente pela minha vida, mas, no exato momento em que despertei do espanto, a primeira pessoa que me veio à mente foi meu filho Rodrigo. Pensei no quanto ele dependia de mim naqueles tempos e o quanto meu amor por ele era imenso.
Lembro-me que quando cheguei à minha antiga residência, tomei um banho, deitei ao lado dele, naquela pequenina cama e fiquei ali, quieto,  olhando aquela criança; tão inocente e tão indefesa. Agradeci a tudo e a todos que me deram sorte de ter saído ileso naquele instante, fechei meus olhos e a poesia mais linda fluiu, com toda honestidade e sinceridade que um homem pode ter.


Agora que estou vivo
vivo para quem quer que eu viva
minha vida, finita, agora brilha
nas fronhas coloridas da pequena cama
no cheiro de jasmim que ele dissipa
na prece que para mim ele reclama
na paixão que em meu peito precipita.
                                                              (Jaguar Araujo, 14/01/2009)

sexta-feira, 25 de maio de 2012

DIAS TRISTES


Quando perdi a minha querida mãe, a vida me pareceu um tanto confusa; um misto de ódio e incompreensão. Pensei em meus irmãos, em meu filho, lembrei do meu saudoso pai e revisitei o meu próprio tempo. Tudo parecia muito vago, desnecessário.

Hoje em dia o descontentamento ainda permanece, porém de uma forma mais amena. No entanto eis que surge para mim um novo filho, e, de certa forma, cada vez mais a rotatividade das espécies parece óbvia. Porém, isso nunca ira me fazer compreender o sofrimento.
E esse texto fala sobre isso, essa amargura...


Ondas do mar, passantes
Levam consigo, com um tempo
O lamento das algas, dos crustáceos
Da areia
Que, sobreposta, serve-me de divertimento
Edificando castelos
Emaranhados de princesas
Que ilustram minha vida
Sempre bendita
Apesar das pedras pontiagudas
Escondidas entre os corais do tempo
Que, como as ondas, passa
Levando consigo o lamento
Das algas, dos crustáceos
E das queridas pessoas.

(Jaguar Araújo, 01/2010)

terça-feira, 15 de maio de 2012

NUNCA MAIS...


Sempre que me lembro do passado é com alegria, satisfação, nostalgia. Tempos de uma boemia exagerada no bom sentido, noitadas loucas. Altíssimas farras regradas sempre a belas mulheres e muita, muita bebida.
Arrependimento? Ah! Isso nunca existiu. A vida é curta e é para ser vivida. E como já diria Claudio Baglioni em sua canção, interpretada também tão lindamente por Renato Russo (http://www.youtube.com/watch?v=M_ZB8GoXFp8): Lá vita è adesso! Ou seja, a vida é agora!!!
Era o velho período das descobertas, que, graças a Deus, sempre foram do bem.
O texto abaixo remete a isso, escrito na década de 90, vivenciava o exato momento, entre o retorno da boemia e a vida cotidiana.




Encontro o meu cálice
Solitário sobre a janela
Restos de vinho e desventuras
Misturados ao orvalho da manhã sincera
Triunfante dor de cabeça
Gosto de fel na minha boca
Que, distante dos beijos de outrora
Reza o perdão da minha fúria louca


(Jaguar Araújo, Junho 1996)

sexta-feira, 30 de março de 2012

À MUSA DE TODOS OS TEMPOS V


Ah, que olhar é esse
que me faz entregar as armas
que me rouba as palavras
na insanidade dos meus dias

Ah, que sorriso é esse
que me alucina
me faz perder a compostura
e me fascina

Ah, se ela soubesse
não usaria tão poucas vestes
não mais me acariciaria

Ah, tempo maldito
deste a ela o infinito
e a mim; pura fantasia.


(Jaguar Araújo, 1999)

quarta-feira, 14 de março de 2012

NOSTALGIA


Ah, Como eu queria
ver-te neste momento
nua e graciosa
diva do meu tempo

Ah, Como eu queria ver-te encostar
em meu peito
como eu queria beijar-te
em meu leito

Ah, Como eu queria...
queria ver teus olhos de esmeralda
festejando o dia
sentir a aura da manhã que chega
repleta de alegria

Ah, Quanta fantasia
desenganada e só
ronda o meu dia
quanta falta, quanta dor
Ah, Como eu queria...

(Jaguar Araújo / 1998)

quarta-feira, 7 de março de 2012


Do vasto campo das minhas ilusões
Da incomensurável satisfação das horas
Surge a minha poesia
Ornamentada com flores admiráveis
Jovens plantas ainda sem fruto
Colhidas na estação certeira
Naturais, sem vício qualquer.

(Jaguar Araujo, 07/03/2012)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

LEMBRANÇA DE UMA NOITE MARAVILHOSAMENTE INTERESSANTE



Inerte, sob minhas sabidas pupilas
Precipitou a jóia
Uma rara ametista incandescente
Rósea, de coração intacto

Repousara diante de mim, despida
De corpo e alma doce
Em meio ao silêncio da tara
Um fino whisky, a palidez atrevida

Da Grécia antiga
Herdara os cabelos alaranjados
A ninfa pele translúcida
A oliva de um suor de sabor delicado

Ha... que loucura bendita
Poder contemplar a aurora
E esta tua sensatez
Moça linda, jovem vida 




(Jaguar Araújo, 25/09/2009)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012



E as ondas vãs se alastram
Por este infinito deserto de dunas e solidão
 Solidão de ti, da tua pele clara
Da tua vanguarda engraçada
Do refinado gosto do teu corpo
Juvenil, incandescente

Neste amplo espaço vazio do meu tempo
Ainda te quero da mesma forma
Com um amor inacreditável, tímido, desaconselhável
Que não tortura e nem alegra, mas encanta
Como a deliciosa passagem do édem
Das jazidas ricas do meio das tuas pernas.

(Jaguar Araujo, Janeiro/2011)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O RETORNO DA INSPIRAÇÃO



Poderia ter sido com um lindo soneto, cheio de lirismo e de um romantismo ímpar, não faltaram possibilidades. Veio-me a lembrança mulheres belíssimas e seus gestos, fragrâncias, semblantes. Mas, não foi bem assim. O retorno deu-se ao revisitar, meio que sem querer, “Um Índio – Caetano Veloso”, em meio ao caótico trânsito de Salvador (sempre escuto música ao dirigir, é meu hobby preferido).
Que a letra é extraordinária eu já sabia, o grande lance é o contexto: 2012, ano do suposto fim dos tempos, de acordo com a profecia Maia!!!
Na letra de Caetano, que tem tudo a ver com o tema, inicialmente transcorre o messianismo indígena:
“Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante”

Além do Indianismo citado na figura de Peri, personagem que é uma espécie de herói do romance “O Guarani”, de José de Alencar, há também, nesse ser, fundamentalmente a necessidade de diversidade religiosa, indicada na musica nas figuras de Bruce Lee, simbolizando a crença oriental; Muhammad Ali, norte americano convertido ao Islã e os Filhos de Gandhi, focando a religião africana(candomblé).
“Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias”

Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá
 “Quanto à profecia Maia e a realidade da medição temporal dessa civilização, Orlando Casares - arqueólogo do Instituto Nacional de Antropologia e História do México (INAH), explica:
 “Um ano dos maias se dividia em duas partes: um calendário chamado ‘Haab’ que falava das atividades cotidianas, agricultura, práticas cerimoniais e domésticas, de 365 dias; e outro menor, o ‘Tzolkin’, de 260 dias, que regia a vida ritualística.
A mistura de ambos os calendários permitia que os cidadãos se organizassem. Dessa forma, por exemplo, o agricultor podia semear, mas sabia que tinha que preparar outras festividades de suas deidades, ou seja, não podiam separar o religioso do cotidiano.
Ambos os calendários formavam a Roda Calendárica, cujo ciclo era de 52 anos, ou seja, o tempo que os dois demoravam a coincidir no mesmo dia. Para calcular períodos maiores utilizavam a Conta Longa, dividida em várias unidades de tempo, das quais a mais importante é o “baktun” (período de 144 mil dias); na maioria das cidades 13 “baktunes” constituíam uma era e, segundo seus cálculos, em 22 de dezembro de 2012 termina a presente”.
Ou seja, terminaria a era, não o mundo em si.

Continuando com a letra de Caetano:
“Num ponto eqüidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto, sim, resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer
Assim, de um modo explícito

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio.”
Conseqüentemente ocultamos em nosso íntimo a consciência do necessário para livrar a humanidade da autodestruição, no entanto é imperativo que um ser celestial, possuidor de uma linguagem comum a todos, e acima de quaisquer questionamento, possa então nos revelar.
Bom, o fato é que me lembrei de uma interpretação magnífica de Bethânia dessa música, lá na longínqua década de 80, e que ainda sim emociona.

E ainda bem, está no ótimo Youtube:



E quem sou eu, homem comum, o único sonhador capaz de devendar todos os segredos da vida?

(Jaguar Araújo, janeiro/2012)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

INVERNO EM TAIRU



Ondas e areias abastadas
Sedutora cor de marfim
Alastra-se na praia despovoada
Neste desmedido inverno sem fim

O frio à beira da estrada
Barrento caminho incomum
Visões de nuvem embaçada
Leva-me a lugar algum

Sargaços e ilusões na areia
Traz-me a sorte do incandescente sol
Oh, minha rainha sereia

Pois como posso admirar as morenas
Se a chuva espessa da ilha
De mim não tem pena?

(Jaguar Araujo, 10/2008)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

CONTO DE AMOR E SAUDADE



Atrevidas manhãs, maiúsculas, infestadas de prazeres incontidos. Lembro-me de ontem, do teu quase beijo, do teu vergonhoso sorriso, das tuas sutis gargalhadas.

Nunca te amei, na verdade, nunca quis amá-la, não teria cabimento. Servir-me-ia apenas um misero segundo, o suficiente para vê-la esguia, desnuda diante de mim numa das minhas fantásticas noites infindas.

E se esvaíram as noites, e o que ficou foi a neblina fria deste momento saudosista, o teu cheiro evaporou-se no ar e as pedras preciosas que habitara teus olhos não viram o meu lado ourives, partiram sem serem lapidadas por minhas mãos. Restou-me o abandono e com ele sigo agora o meu destino de garimpeiro.


(Jaguar Araújo, Fev/2000)

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O BEM-VINDO VERÃO...



As ondas, o oceano
O bem-vindo verão
E a rubra cor da pele das meninas
Ah, as meninas...

E como são belas
E vem delas a vocação para esta minha aquarela
Desse brilho incandescente que fascina
Ah, essas admiráveis meninas...

Quanta fúria
Nestas pequenas vestes que me atormenta
Cais perfeito para essa minha descalça luxúria
E este meu falo que não se contenta

Ah, avarentas!
Estas pudicas fêmeas que não freqüenta
Este meu delírio incontrolável de quarenta
E se acovardam, vestidas, em um clausulo só.

(Jaguar Araujo, 26/09/2008)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

TEMPESTADE SOLAR (por uma grande amiga)



Eis aqui a aurora
Cintilante
Os primeiros raios solares enfeitam o horizonte
De um tempo infinito, de flores, de cores
De uma alegria única que não se esvai nunca
Apenas evolui

Para outros cantos, outros seres
Outras vidas
Instantes estes
Onde jamais existirão lágrimas 
Somente a lembrança
Dos cantos, dos jardins, do quarto

E de onde outrora reinavam minhas glórias
Cresceram pequenas plantas rasteiras
Inebriadas de um íntimo aroma floral
Que enriquece os ares
Que acalanta a minh’alma

Que me faz descansar sossegado
Santificado, por uma bendita alegria noturna
Nestes Intermináveis rios de glórias
De travessuras
De uma louca e sã fantasia

(Jaguar Araujo, Nov/2009)